O tempo escorre.
- Beca Yamashita

- 2 de jul.
- 1 min de leitura
Mamma mia é um dos meus "filmes conforto", daqueles que eu vejo quando preciso sentir algo.
Eu tinha 12 anos quando assisti pela primeira vez. A cena da Donna penteando o cabelo da Sophie antes do casamento me tocou. Eu chorava pela ideia de, um dia, sair de casa. Eu me via na Sophie, naquelas lágrimas de gratidão e saudade antecipada.
Quase 17 anos se passaram… sou mãe e essa cena ainda me emociona. Mas hoje me vejo na Donna. Naquelas lágrimas de quem tentou segurar o tempo. E não conseguiu e por isso aceita que o tempo não se deixa segurar. Ele escapa pelos dedos. A perfeita representação da música que entoa a cena e que me faz chorar toda vez que a ouço.
Em 2008, meu choro era de medo de tudo que ainda viria pela frente, pelo receio de não “conseguir fazer tudo sozinha” quando o momento de seguir a vida adulta chegasse.
Em 2026, meu choro é de vontade de me transportar para um tempo que, sei que vivi, mas queria ter vivido mais.
Se aos 12 eu soubesse o quanto seria incrível ser mãe do menino mais legal do mundo, talvez eu teria chorado pela Donna. Pelo seu adeus silencioso à sua criança que já não estava mais lá. Porque aqui, choro com meu adeus silencioso ao bebê que não está mais aqui.
Eu reconheço que esse choro vai me acompanhar enquanto eu existir como mãe. O mais difícil é aceitar que o tempo segue, e sempre seguirá me escapando pelos meus dedos.



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